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Caravana de voluntários visita abrigos de Roraima para amenizar sofrimento dos refugiados

Formada por 57 profissionais de áreas distintas ação pretende cuidar da saúde física e mental dos venezuelanos


Tesourinhas de Luz cortam cabelos no abrigo Hélio Campos - Fábio Calilo/Roraima em Tempo

No início deste feriadão de Finados, a Fraternidade Sem Fronteiras (FSF) enviou a Roraima uma caravana para atender refugiados venezuelanos nos abrigos do estado. Na sexta-feira, a reportagem do Roraima em Tempo acompanhou a ação no abrigo Hélio Campos, que segundo o Exército Brasileiro atende 250 refugiados, entre homens e mulheres de todas as idades.

Conversamos com a coordenadora da caravana, Eliana Simione, da FSF de São Paulo. Ela explicou que a Caravana tem duas linhas principais de trabalho.

"A Caravana da Saúde é composta por 35 médicos e profissionais de saúde que prestarão atendimento voluntário em diversos abrigos de Roraima. Com apoio de uma companhia área, trouxemos mais de uma toneladas de medicamentos arrecadados em todas as partes do país e que viabiliza a ação", detalhou.

Eliana pontuou que a outra linha de atuação trata a assistência social, com o auxílio de 22 profissionais de diversas áreas. "Nesta linha cuidamos da saúde mental deles. Trazemos capacitação, oficinas, atividades lúdicas, atividades laborais, este contanto, esta conversa, o abraço, o entender, o ouvir a história de cada um, o acolhimento de verdade", frisou.

Eliana Simione, da FSF de São Paulo, coordena a carvana de 55 voluntários (Fabio Calilo/Roraima em Tempo)

A coordenadora agradeceu o apoio logístico do Exército e de instituições religiosas. "Temos o apoio de todas as igrejas, temos parcerias com a Consolata, que é a igreja católica. Em Pacaraima estamos atendendo em uma Congregação Evangélica, onde um pastor cedeu um espaço e para viabilizar o atendimento dos refugiados que ainda estão em situação de rua. Os Mórmons também nos dão muito apoio".

Os voluntários ofereceram diversas atividades aos abrigados, como oficina de confecção de bijuterias, ministrada pela paulistana Mônica Pimentel e a baiana Juliana Reis.

"É a primeira vez que venho a Roraima, e a primeira vez em um abrigo. Tem sido uma experiência maravilhosa. Eles estão muito empolgados. É uma oportunidade de passar um tempo construindo algo deles. Você sabe que o ser humano é do concreto, e a bijuteria é algo que se pode pegar, se usar, se adornar, eles se embelezam. Essa oficina trabalha a autoestima e pode ser uma fonte de renda", relatou Mônica.

A assistente social Mônica Pimentel, saiu de São Paulo, para ministrar uma oficina de bijuterias aos refugiados do abrigo Hélio Campos (Fabio Calilo/Roraima em Tempo)

Na mesma linha, de trabalhar a autoestima dos refugiados, a profissional de beleza Adriana saiu de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, para se juntar à caravana.

"Eu vim aqui com a caravana da FSF, para trazer a redescoberta da alma da mulher. Porque o cabelo é a moldura da alma. O que para alguns parece ser tão pouco, o cuidar da beleza, consideramos muito importante para uma mulher. Como profissional da beleza fiquei pensando o que poderia fazer para amenizar este sofrimento de ser privado, por exemplo, de um sabonete, shampoo, condionador. Decidi levar o que eu sei fazer, o meu trabalho, com as minhas mãos, para trazer um pouco de dignidade, de ser bela, porque toda mulher nasceu para ser princesa", justificou.

Adriana trouxe produtos profissionais e com apoio de outras voluntárias e algumas internas promoveu uma tarde de beleza no abrigo, com corte e pintura de cabelos, ela batizou o projeto de "Tesourinhas de Luz". A caravana fica em Roraima até a madrugada da segunda-feira (5).

A profissional de beleza Adriana Franca, levou seu projeto Tesourinhas de Luz ao abrigo (Fabio Calilo/Roraima em Tempo)