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Em 15 dias, mais dois casos de sarampo são confirmados em RR e número chega a 349

Casos foram confirmados em Roraima desde início do surto, afirma Sesau

Créditos: Bruna Menezes

Mais dois casos de sarampo foram confirmados em Roraima, o que soma 349 desde o início do surto em fevereiro deste ano, conforme informou a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau). O último balanço foi divulgado há 15 dias.

O número é considerado baixo e está na contramão de Manaus, capital do Amazonas, onde se concentra quase a totalidade de casos da doença no Brasil. Apesar da diminuição de notificações nas últimas semanas de novembro, o país continua a ter novos registros suspeitos e confirmados.

Por causa disso, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) emitiram uma nota de alerta aos pediatras sobre a situação do problema no País e apontaram a importância da vacinação.

Conforme ressaltou, pediatras têm papel fundamental na orientação da população, no combate a falsas notícias e devem estar envolvidos com as ações públicas de controle da doença.

Sobre a vacinação indiscriminada, foi destacado que tem se mostrado a melhor ferramenta para o controle de surtos da doença a utilização da vacina em menores de um ano de idade, estratégia fundamental para a redução de casos graves e óbitos relacionados ao sarampo.

"A cobertura vacinal de 95% com duas doses da vacina tríplice viral é considerada ideal, mas não foi atingida por nenhum Estado da Federação", informa a nota.

Entre as recomendações das Sociedades, estão as que, em situações de surto, devem ser tomadas medidas gerais de controle, como aleitamento materno, evitar aglomerações, especialmente crianças pequenas e, claro, a vacinação.

"A notificação de casos suspeitos e a rápida elucidação são cruciais para a definição das estratégias e ações de imunização, bem como a aplicação da vacina tríplice viral em lactentes a partir de seis meses de idade, adotada pelo Ministério da Saúde, que é segura e recomendada pela Organização Mundial da Saúde [OMS]", continua a nota.

Conforme explicou a SBP, esta dose, embora de menor eficácia, justifica-se pela alta taxa de incidência da doença e risco para complicações e mortes nessa faixa etária.

"Devido à possibilidade da falha primária quando da vacinação de menores de 12 meses, essa dose da vacina tríplice viral não devera? ser considerada como válida e, portanto, estas crianças deverão ser revacinadas recebendo as doses rotineiras aos 12 e 15 meses de idade", explica.

O alerta também serve para crianças maiores, adolescentes e adultos que não tenham comprovação de vacinação prévia. Para esse grupo, a vacinação de rotina deve ser fortemente incentivada.

"São considerados adequadamente imunizados aqueles que apresentarem duas doses da vacina contra o sarampo, com intervalo mínimo de um mês, acima de um ano de idade", esclarece.

Além disso, foi ressaltado que o Programa Nacional de Imunizações (PNI) deve manter a oferta regular da vacina para atender à demanda da vacinação rotineira e à realização de ações de bloqueio, intensificação e campanhas de vacinação, visando à prevenção de novos casos de sarampo.

DADOS

Em todo o País, mais de dez mil casos da doença já foram confirmados, segundo o Ministério da Saúde, e pelo menos 13 óbitos decorrentes da doença já ocorreram no Brasil este ano, quase todos de crianças menores de cinco anos de idade. Desses, quatro foram em Roraima, seis no Amazonas e dois no Pará.

Atualmente, há 173 casos confirmados em Boa Vista, 79 em Amajari, 60 em Pacaraima e 15 em Rorainópolis. Em menor número, estão os municípios de Cantá, com 11 casos; Caracaraí com cinco, Alto Alegre com três e Mucajaí, São João da Baliza e Uiramutã com um caso, cada. Até o momento, não houve registros em Caroebe, Iracema e São Luiz.

O público masculino é o mais atingido pela doença: 189 casos, enquanto 160 mulheres foram afetadas. Desses, 214 são venezuelanos, 133 brasileiros, um argentino e um guianense. Do total de 349, 146 são indígenas.

Os mais atingidos são crianças de um a quatro anos, com 91 casos, seguidas de menores de um ano, com 84 afetados; 54 são crianças de 5 a 9 anos, enquanto 36 das vítimas têm idade entre 10 e 14 anos.

Já o público de 15 a 19 anos registrou 24 casos; 35 são de pessoas de 20 a 29 anos, 18 de pessoas com 30 a 39 anos e seis casos na faixa etária de 40 a 49 anos. Apenas uma pessoa acima dos 50 foi diagnosticada.

 

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