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Falta de informação é um entrave para quem sofre com endometriose

A endometriose é uma patologia que afeta as mulheres nos anos reprodutivos


Levantamento aponta que, sete mulheres são levadas diariamente para mesas cirúrgicas por causa da endometriose - Divulgação

Há quatro anos, a autônoma Eliane Macêdo foi diagnosticada com endometriose, doença que até então não conhecia. Ao receber o diagnóstico, foi surpreendida ao saber que a patologia havia atingido o sistema reprodutivo e outros órgãos da região do intestino. A endometriose afeta 176 milhões de mulheres em todo o mundo e 6,5 milhões no Brasil, conforme dados da Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE).

Casos como o de Eliane são comuns, devido à falta de informação. Então, para informar a população sobre doença, foi instituída a Semana Estadual de Educação Preventiva e de Enfrentamento à Endometriose. Em Roraima, diversas campanhas são realizadas, para alertar a sociedade sobre os riscos e as formas de tratamento.

A iniciativa 'Março Amarelo' é uma das ações de sensibilização, por meio de atividades de atenção à mulher incluindo palestras, oficinas e outras programações. A endometriose é responsável por 40% dos casos de infertilidades no país, segundo o SBE e mais de 60% das mulheres desconhecem os sintomas da doença.

Um levantamento da Secretaria de Saúde aponta que sete mulheres são levadas diariamente para mesas cirúrgicas por causa da endometriose. A falta de informação sobre a doença é um dos entraves para quem tem a patologia. Apesar de sempre sofrer com fortes dores, Eliane nunca recebeu o diagnóstico exato, o que poderia ter evitado inúmeros problemas.

"Eu sentia muita dor no período menstrual, inchava, sagrava e a partir do momento que comecei a ter crises, nunca mais consegui trabalhar em uma empresa com algo fixo, porque eu piorava a qualquer momento. Isso mudou completamente a minha vida", relatou à autônoma.

Outra dificuldade enfrentada por ela foi a falta de assistência do poder público com relação aos exames. Apesar da situação avançada da doença, à época, o Estado não possuía o exame de laparoscopia (procedimento que pode ser indicado para mulheres que sofrem de endometriose).

"Sempre diziam que era um cisto, mas nada relacionado à doença. Em 2016 eu fiz a cirurgia, onde eu perdi um ovário, uma trompa e a doença já estava no reto, intestino e outros órgãos", detalhou Eliane.

ENDOMETRIOSE

É uma doença caracterizada pela presença do endométrio - tecido que reveste o interior do útero - fora da cavidade uterina, ou seja, em outros órgãos da pelve: trompas, ovários, intestinos e bexiga.

O tratamento é feito com auxílio médico e os sintomas podem ser: cólica intensa dentro ou fora do período menstrual, dor pélvica ou na região lombar, dor durante ou após o ato sexual, dor para urinar ou evacuar e desconforto abdominal.

Ela não é contagiosa, não é transmitida pelas relações sexuais, portanto, não é uma doença sexualmente transmissível. A endometriose é uma patologia que afeta as mulheres nos anos reprodutivos e de todas as idades.

O chefe do ambulatório de endometriose do Hospital Universitário Pedro Ernesto, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Marco Aurélio Pinho de Oliveira, explicou que a doença, embora seja comum, ainda é pouco conhecida e costuma demorar a ser diagnosticada: cerca de oito anos após o aparecimento dos primeiros sintomas.

Ele lembrou que os sinais mais evidentes são dores muitas vezes incapacitantes, como cólicas fortes e progressivas (que pioram ao longo do tempo), dores durante a relação sexual, desconforto ao evacuar e urinar e até mesmo dores na região lombar e nas coxas.

Em alguns casos, a falta de tratamento pode levar a problemas mais graves, como obstrução intestinal, se houver comprometimento extenso do intestino, e a perda das funções renais, caso a bexiga e os ureteres sejam prejudicados.

 "O exame ginecológico preventivo não mostra a doença, o ultrassom também não mostra. Ou só mostra quando o crescimento do endométrio já está maior. A ressonância magnética consegue detectar nódulos a partir de meio centímetro, mas a laparoscopia detecta menor que isso. Só assim pra ter um diagnóstico precoce", acrescentou Oliveira.

Há ainda, segundo ele, outro sintoma característico da endometriose: a infertilidade feminina. Muitas mulheres, apesar de não apresentarem dores e cólicas, têm dificuldade para engravidar por conta do crescimento anormal do endométrio.

O tratamento, de acordo com o ginecologista, pode ser cirúrgico - considerado mais completo porque retira os focos da doença e melhora as chances de concepção - ou hormonal, à base de pílulas anticoncepcionais, por exemplo. "Melhora a dor, mas a doença continua lá", alertou.

ALIMENTAÇÃO

Não há como curar a endometriose. Mas, de maneira abrangente a alimentação saudável é uma das prioridades em destaque, como uma dieta controlada, exercícios físicos moderados e um acompanhamento medico regular.

A alimentação adequada também pode ajudar controlar a liberação de prostaglandinas e ácidos graxos, responsável pelo processo inflamatório, típico da endometriose. Alimentos ricos em ômega-3 vitamina A, B, D e E servem de revestimento protetor, assim ajudando em uma possível regressão do endométrio.

Fonte: Com informações da Agência Brasil