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Pelo menos 42% dos adolescentes em RR acompanhados pelos SUS se alimentam mal

Especialistas alertam para os problemas ocasionados em razão dos alimentos sem valor nutricional


Quase 20% dos jovens em Roraima consumiram produtos industrializados regularmente - Divulgação

Um levantamento mostra que pelo menos 42% dos adolescentes acompanhados pela atenção básica do Sistema Único de Saúde (SUS) estão se alimentando de forma errada. As informações constam do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN).

De acordo com os dados, em 2017, 17% deles consumiram produtos industrializados regularmente, como macarrão instantâneo, salgadinho de pacote ou biscoito salgado. Além disso, consumiram outros alimentos considerados "vilões", como os vendidos em lanchonetes fast foods.

Os números revelam que os 42% desses jovens ingeriram hambúrguer embutidos, batatas fritas e outras guloseimas. Em uma quantidade menor, mas também considerável, 35% comeram biscoitos recheados e doces de vários tipos, o que pode representar vários problemas, segundo os especialistas.

Para Thais Viviane, coach de Bem-estar e Saúde, fast foods não são considerados um alimento de verdade por serem pobres em nutrientes. Segundo ela, não é recomendável que as pessoas consumam todos os dias esse tipo de refeição, evitando assim vários problemas de saúde.

"Quando eu me alimento de comida que não tem nutrientes, que não tem os minerais, vitaminas, eu vou empobrecer o meu corpo e com isso, quando tem a baixa de imunidade, uma gripe, até uma rinite alérgica, a gente acaba tendo uma recuperação mais lenta ou os efeitos mais graves do que uma pessoa que se alimenta bem. Isso acontece porque o corpo não tem proteção contra vírus e bactérias", comentou.

Thais pontua também que fast food não deve ser substituir a refeição do dia a dia, como o arroz, feijão, salada, legumes e verduras. A preocupação com a alimentação deve ser constante e levada a sério, principalmente pelos jovens, que estão em fase de crescimento e precisam de uma alimentação balanceada.

"Os jovens, em muitos casos, pela correria do dia a dia, acabam substituindo alimentos de verdade por essa comida [de fast food] e isso é como se estivesse mudando o DNA do seu corpo. E com isso, qualquer doença que você pega demora em se recuperar. A criança saudável fica doente porque tem menos proteção que a gente, mas é diferente de uma que não se alimenta saudavelmente", explicou.

OUTROS DADOS

Os maus hábitos à mesa têm refletido na saúde e no excesso de peso dos jovens. Os últimos indicadores do Ministério da Saúde apontam também que adolescentes com obesidade aos 19 anos têm 89% de chance de serem obesos aos 35.

De acordo com informações da Pesquisa Nacional de Saúde Escolar (Pense), pelo menos 7,8% dos adolescentes das escolas entre 13 e 17 anos estão obesos, sendo maior entre os meninos (8,3%) do que nas meninas (7,3%).

ALIMENTAÇÃO BALANCEADA

Sobre o levantamento feito com os adolescentes acompanhados pelo SUS em Roraima, que não estão se alimentado corretamente, a coach de Bem-estar e Saúde alerta que as unidades de saúde contam com profissionais capacitados a montar um cardápio especialmente para suprir a demanda nutricional de todos os pacientes.

"Os hospitais têm uma nutricionista para balancear a alimentação deles. É importante ressaltar que se está sendo oferecida essa comida no hospital é porque ela deve ser a dieta para o paciente. Quando for liberado para ir para casa e ainda estiver se recuperando, tem de seguir a orientação do nutricionista do hospital", enfatizou Thais.