Questão de Opinião

Cambalachos e os reflexos na educação de Roraima

As falcatruas levaram a Polícia Federal a tocar campainha de muita gente nos últimos meses


Que o jovem é o futuro da nação todo bom brasileiro adora reiterar. Contudo, lembro que recentemente o Roraima em Tempo publicou os desafios para se estudar na Raposa Serra do Sol, terra indígena ao Norte deste Estado.

Falta de transporte, merenda, iluminação e por aí vai a lista negra das entrelinhas enfrentadas por quem sonha em 'ser alguém na vida', como diziam meus pais aos meus cinco anos de idade.

Esses reflexos negativos na educação estadual vêm de um punhado de cambalachos que prejudicam a comunidade escolar e vão perdurar por anos. Milhões desviados da merenda; outros milhões tirados do transporte e contratos de prestação de serviços como canal para desvio de recurso público. Tudo isso sob a ótica das terminologias 'suspeita' e 'investigação'. Os processos seguem tramitando.

Para contextualizar um pouco mais... Nesta semana o governo fez nova chamada de professores e lançou novo consurso seletivo. Isso no início do terceiro bimestre do ano letivo, quando esses itens básicos da educação deveriam estar bem engendrados. Até o mês de junho o governo assinava contrato do transporte sem licitação e em julho fechava o calendário escolar indígena, com previsão para terminar em março de 2020.

Ouso dizer que os meros frutos da corrupção interferem na gestão do secretário que se propõe a assumir a pasta. Mais ainda porque a atual gestora parece não dominar muito bem as responsabilidades a ela impostas.

O Diário Oficial do Estado trouxe, nos últimos meses, várias viagens da representante. Ela ficou dias fora. Enquanto isso, o governo continua colocando a falta de estrutura na conta da gestão passada. É como se a secretária não estivesse a par de tudo isso.

Têm razão? Sim!

As falcatruas levaram a Polícia Federal a tocar campainha da casa de muita gente nos últimos meses. Atingiram a reputação de deputados estaduais e assombram outros envolvidos que estão nas sombras dos velhos cambalachos. Na outra ponta, crianças perdem o ano letivo, se arriscam nas estradas para estudar e lutam, diariamente, contra as amargas armadilhas impostas pela corrupção.

A pergunta é: como solucionar essa questão? A migração venezuelana, o crescimento populacional, os cortes de verbas e a deficitária parte técnica incrementam esse rol de imbróglios em torno da nossa educação.

Digo nossa porque não é de hoje essa deturpação das diretrizes educacionais. Quando estudei no ensino médio em 2012, minha professora de História era formada em Química. Como, então, é possível, assim, formar bons estudantes?

Estamos presos num caldeirão de problemas e a todo instante mais lenha é colocada no fogueira da corrupção para sustentar esses cambalachos. Trata-se de um método antigo. Fecham tudo com uma cortina de fumaça para esconder a verdadeira realidade da educação, tanto na capital como no interior. A população segue pressionada por tudo isso e se isola na bolha da comodidade. O cenário não tende a mudar. Infelizmente... 

JOSUÉ FERREIRA - O autor é jornalista e editor do Roraima em Tempo. [email protected]


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