Questão de Opinião

O mercado de trabalho é cruel, mas existe um lado bom

Uma coisa é certa: os jovens atualmente estão entrando cada vez mais tarde no mercado de trabalho


Roraima é o tipo de lugar que ainda podemos encontrar vagas empregos de forma mais fácil em várias áreas. Por mais que muitos brasileiros tenham reclamado da mão de obra venezuelana mais barata, mesmo assim, temos sim algo diferente se formos comparar com outros Estados.

Há alguns dias estive na Setrabes para uma reunião e acabei conhecendo um pouco mais do trabalho do Sistema Nacional de Emprego (Sine). Todas as semanas eles ofertam dezenas de vagas nas mais diversas áreas, mas é necessário chamar, em média, três pessoas para cada vaga até encontrar alguém que se encaixe. É que a grande maioria dos interessados não têm qualificação e acabam sendo desclassificados em alguma das etapas.

Uma coisa é certa: os jovens atualmente estão entrando cada vez mais tarde no mercado de trabalho e, na maioria das vezes, sem experiência alguma. Aliás, a juventude nos dias atuais não tem profissão e os currículos têm praticamente o nome, endereço e telefone somente.

Se por um lado as empresas cobram que o candidato domine tal área, e essa pessoa talvez nunca tenha tido a chance de ter a primeira experiência devido aos critérios de seleção, por outro os jovens estão morando na casa dos pais por mais tempo e, por isso demoram buscar oportunidades por serem "bancados" até seus 25 anos ou mais.

E para quem contrata? A tão cobrada experiência é mais que necessária para admitir alguém. Mas vou analisar o que tenho feito na Band Roraima desde 2013. Como diretor de Jornalismo da emissora tenho buscado pessoas descoladas e interessadas nas vagas e apostando no treinamento diário desses profissionais. E confesso que tem dado muito certo.

A Band hoje é a emissora que mais revela talentos - muitos até então escondidos. Nos últimos anos conseguimos formar vários repórteres, produtores e até apresentadores. Pois é, uma emissora pequena, mas que devido a uma visão diferenciada optou pelo caminho mais longo, porém recompensador.

Nos últimos anos "perdemos" oito profissionais para outras emissoras. Mas é a lei do mercado - é normal. Às vezes algo a mais no salário faz toda a diferença para alguém que já está preparado para o mercado e quer voar mais alto.

E assim como voei algumas vezes e sei bem como isso acaba nos empolgando, jamais tento segurar alguém que tenha potencial para brilhar, mesmo que não seja mais ao meu lado. Mas o mais legal é quando essas pessoas vem até nós com um sentimento de gratidão e aperto no coração para agradecer a oportunidade e deixar as portas abertas.

Então, nessa roda gigante da vida o que temos que fazer é estudarmos sempre, dedicarmos bastante, deixar amigos por onde passamos e estarmos sempre preparados para novos desafios e missões. Sejamos honestos com nós mesmos e com nossos colegas. O mercado de trabalho precisa de pessoas boas. E o mundo também. Afinal, somos analisados o tempo todo.

BRUNO PEREZ - o autor é jornalista e apresentador da TV Band Roraima e rádio 93 FM.


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