Questão de Opinião

Quanto vale a vida de um cão? E a de um trabalhador?

Nos dias atuais, com a correria do trabalho e compromissos, estamos cada vez mais atarefados e sem tempo para a família


Essa semana eu fiz comentários na Band e 93 FM que pela primeira vez não deu tanta polêmica como eu pensava. É que resolvi fazer uma simples comparação entre a morte de um cão, esfaqueado por um comerciante e o assassinato de um senhor que foi brutalmente esfaqueado nove vezes quando cobrava uma dívida de R$500.

É que analisando friamente, a morte do animal causou muito mais comoção que a do ser humano. Não que eu ache o crime praticado contra o cachorro menos importante, mas pelo fato de grande parte das pessoas estarem acostumadas com o ser humano matando seus semelhantes. Infelizmente estamos acostumados com tanta notícia ruim que acabamos dando pouca ênfase no que para alguns é apenas mais um homicídio.

Se por um lado as ONG's e os defensores de animais se uniram em uma caminhada pedindo Justiça para o suspeito de matar o cão, por outro a sociedade digeriu rapidamente o crime violento em que o suspeito fugiu sem deixar pistas e a vítima ainda permaneceu um dia no Hospital Geral de Roraima lutando pela vida.

Se a comoção fosse no mesmo nível nos dois casos já estaria satisfeito. Afinal, assim como o cachorro, o homem assassinado a facadas também não teve chance de se defender. A verdade é que com a velocidade das informações e o número de crimes assustador, nós [e eu me incluo] estamos ficando estáticos sem ter o que fazer e a quem recorrer.

Não estou apontando o dedo e dizendo que todos nós estamos errados. Apenas acredito que precisamos cobrar Justiça também nos casos em que pais de família, estudantes, mulheres, negros, pobres e pessoas simples são assassinados todos os dias em Roraima.

Os programas policiais que um dia foram tão criticados por exibirem cenas horripilantes, hoje "perdem feio" para os grupos de WhatsApp que, sem o menor cuidado, publicam tudo sem regras ou respeito às vítimas e seus familiares.

Nos dias atuais, com a correria do trabalho e compromissos, estamos cada vez mais atarefados e sem tempo para a família. Que nós possamos parar para refletir sobre a dor do outro e as angústias do próximo. Enquanto tem muita gente sofrendo por algo, estamos de bem com a vida. Mas como não sabemos o dia de amanhã, temos que ter a sensibilidade de entender que um dia podemos passar por tudo que o outro passou e não demos a mínima. Afinal, o ser humano é individualista e nosso problema sempre vai ser o pior e o mais grave de todos.

Aos defensores dos animais, meu mais sincero respeito a todos vocês pelo trabalho voluntário realizado em Boa Vista. Continuem lutando e brigando pelo que acreditam e me tenham como um aliado para que juntos possamos ter animais cada vez mais bem tratados e respeitados. 

BRUNO PEREZ - O autor é jornalista e apresentador da TV Band Roraima e rádio 93 FM.


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