Questão de Opinião

Por que um dia dos negros?

A construção desse dia é de extrema importância para todos aqueles que sofreram e ainda sofrem violência física, verbal e psicológica por causa da sua cor


Pra que um dia para os negros? Esta é uma pergunta frequente nos círculos de debates quando o dia da Consciência Negra se aproxima.

Comemorado no dia 20 de novembro, o dia da Consciência Negra foi criado não porque o negro merece um dia só pra ele, deixando o homem branco e ameríndio 'a parte, como quem não merece nenhum tipo de reconhecimento.

Esta data existe porque ainda há necessidade de se falar, conscientizar, clamar por igualdade entre nós, seres humanos. Essa data é o mínimo entre as menores coisas que nós, devemos àqueles que colaboraram para a construção desse país, com seu suor, cultura, religião e arte.

A construção desse dia é de extrema importância para todos aqueles que sofreram e ainda sofrem violência física, verbal e psicológica por causa da sua cor. Ele não é um dia "para os negros", é um dia para nos lembrarmos como eles têm sido tratados, desprezados, ignorados pela população e pelos três poderes.

Ter um dia que faça o Brasil prestar atenção a toda a riqueza que ganhamos dos povos africanos não é privilegiar uma cultura, mas dar o merecido reconhecimento a um dos diversos povos que construíram nosso país.

Há discursos que falam de quanto é ridícula, a data, e quanto é vergonhoso num país diversificado ter uma data para falar de uma consciência em respeito ao povo africano, enquanto deveríamos pensar em uma "consciência humana".

Mas não se enganem, a consciência humana, como algo que deva ser pensado para todos já existe e faz parte da Declaração Universal dos Direitos Humanos, criada pela ONU em 1948 e que está assinada por mais de 200 países, além de ter influenciado a construção de Constituições e Códigos Civis pelo mundo inteiro.

Esta consciência humana já é cuidada e respeitada pelo Estado e população, mesmo que de maneira precária, mas ao observarmos qual parte dessa população mais precisa de assistência, fica nítida que os poderes não têm se esforçado o suficiente para resolver os problemas sociais, já que a população negra ainda é a mais afetada pela falta de saúde, educação, emprego e moradia.

É por causa dessa necessidade latente que existente uma dia para se pensar no negro, enquanto estudante, profissional, portador de uma cultura, religião, arte e gastronomia, ou seja, como pessoa humana, sem preconceitos, sem divisão social, e também como uma data para pensarmos e discutirmos o que tem sido feito para evitar tantas mortes, e tantas atitudes preconceituosas e negligentes, que fazem com que o negro ainda seja a parte da população mais pobre do país.

O dia da Consciência Negra é uma data para refletirmos o que pode ser feito, como políticas públicas de inclusão, igualdade e equidade e como nós, pessoas comuns podemos viver tendo como base o respeito ao próximo, como se cada um como se fosse um espelho de nós, não como um irmão, um amigo, mas como uma extensão de nós mesmos. 

ELIZA LIMA - A autora é professora, graduada e especialista em Filosofia. [email protected]

NOTA DO EDITOR: A coluna está sendo publicada excepcionalmente hoje em razão do feriado Dia da Consciência Negra


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