Questão de Opinião

Temos que agir como torcedores de times grandes

Nós de Roraima deveríamos atuar como a torcida do Flamengo nesse último fim de semana


Na semana passada eu estava viajando a trabalho, mas acompanhei as pessoas se organizando nas redes sociais para realização de uma manifestação contra a Roraima energia. Vi que o movimento estava ganhando força e entendi que aquela era uma das alternativas para enfrentar de frente o problema, afinal, a população tem nas mãos não somente o voto a cada dois anos, mas a força, se utilizada corretamente e de forma organizada. [Daqui a pouco explico o título desse artigo].

Acontece que nos últimos anos já percebemos em diversas vezes que a população residente em Roraima [e não propriamente o roraimense] é pacata. Se tem manifestação em horário de trabalho não pode ir e se o movimento é no fim de semana meio que reclama de tudo como do calor, cansaço ou do universo que conspirou contra.

E na semana passada, mais uma vez, poucas pessoas aderiram ao encontro em frente à Roraima Energia. Algumas pessoas disseram que pouco mais de 10 pessoas compareceram no local e horário combinados. Tudo bem, eu sei. Era em horário comercial e nem todos poderiam ir naquele momento.

Então não seria mais lógico ou inteligente marcar algo em um horário em que a maioria pode? Se bem que em outras ocasiões, manifestações em domingos também reuniram menos de 5% da população. É isso mesmo. Movimentos que juntaram mil pessoas ou um pouco menos.

Mas, você pode estar se perguntando: "Bruno, mas e você? Não faz nada? Só critica?". Pois bem, em duas ocasiões fui aos movimentos. Uma vez como ciclista e permaneci no local e outra como repórter pela TV Band e fazendo cobertura para a rede nacional.

Mas, mais que isso, deixei o espaço aberto na rádio para que os organizadores pudessem falar e convocar a população. Ou seja, cada um tem um papel em todo um contexto. Mas nunca podemos ser omissos.

Mas não venha me falar apenas que fazendo o papel de compartilhador no Facebook você está cumprindo a missão. Sim, claro que as redes sociais são importantes, mas a força do povo nas ruas não tem comparação.

Agora só justificando o título do meu artigo, o que nas regras jornalísticas deveria ter ocorrido no primeiro parágrafo. Vamos la! Nós de Roraima deveríamos atuar como a torcida do Flamengo nesse último fim de semana. Antes do jogo da final da Libertadores todos estavam eufóricos nas redes sociais, mas depois da partida mais de 5% da população da cidade [risos] lotaram o Centro Cívico comemorando o título do time carioca.

Ou seja, será que vamos assistir tudo na TV esperando alguma notícia importante? Creio que não. Afinal, se assim for nada vai mudar. Somente a indignação das pessoas pode resultar em ações práticas nas nossas vidas. Pelo contrário vamos ficar como torcedores de times sem pretensão esperando um milagre

Vamos assistir partidas, reclamar nas redes sociais e ficar sem levantar taça alguma no final da competição. E aí? Bora fazer nossa parte?

BRUNO PEREZ - O autor é jornalista e apresentador da TV Band Roraima e rádio 93 FM.