Coluna Roraima Alerta

Denarium: 'Estou lá [no governo] porque entrei nessa confusão danada que eu arranjei na minha vida'


CONFUSÃO 1

O governador Antonio Denarium parece estar arrependido de ter se candidatado ao governo de Roraima. Mais do que isso: de ter assumido a bronca que é administrar o Estado. Ontem, um vídeo passou a circular nas redes sociais e mostra o chefe do Poder Executivo explicando a uns desconhecidos que vai pagar o PCCR das indiretas, que os governos anteriores não fizeram nada. "Eu entrei não tem nem um ano. Por que estou pagando todos os meses os servidores e antes não pagava? Por que eles não pagavam os consignados e eu estou pagando? Por que eles não pagavam a previdência e eu estou pagando? Por que eles não pagavam fornecedores e eu estou pagando? Porque eles roubavam o dinheiro, caramba", expressa nas imagens, numa tentativa de responder aos questionamentos dos cidadãos que o rodeia.

CONFUSÃO 2

Como sempre faz, Denarium voltou a falar que o Estado não tem dinheiro e, por isso, não tem como pagar as contas. No vídeo, o governador afirma que diminuiu na folha de pagamento R$ 15 milhões. "Agora tem uns filhos de rapariga, que nunca fizeram nada pelo Estado, que ficam atacando o governo, mas ninguém nunca trabalhou como estou trabalhando", continua Denarium. A primeira parte do vídeo termina com ele dizendo que trabalha 16 horas por dia, tanto na semana como nos fins de semana e feriados. "Não estou interessado em ser governador de novo. Não sou político. Eu estou lá [no governo] porque entrei nessa confusão danada que eu arranjei na minha vida". As declarações do político entram em contradição com o que diz posteriormente.

EXPLICA-SE

A Coluna traz um viés reflexivo sobre a fala de Denarium. A pressão política sobre o não político, como ele se intitula, parece ter feito o empresário mudar de opinião sobre gerir o Estado. A Assembleia Legislativa, especificamente Jânio Xingu, fala que o governo tem superávit. A delaração já foi corroborada com o presidente do Parlamento, Jalser Renier. Denarium sempre fala que não há dinheiro, mas entra em rota de colisão com o próprio discurso de campanha, quando afirmava faltar gestão em Roraima, não dinheiro. No fim das contas, faltam as duas coisas: dinheiro e gestão. A deputada Betânia Almeida, por exemplo, já espalhou aos quatro cantos que quem manda no Estado é o chefe da Casa Civil, Dinsey Batista. Pelo andar da carruagem, pode ser A e B, pois o governador demonstra estar perdido. Dizer que estar lá [no governo] por causa que quer ajudar o Estado, não parece justificativa plausível. É preciso contornar esse discurso.

CADÊ?

Não houve uma manifestação massiva sobre os resultados do leilão do pré-sal, por parte dos parlamentares de Roraima. Os recursos previstos para o estado foram reduzidos pela metade. Com isso, os R$ 226 milhões dos quais os parlamentares se orgulhavam foram reduzidos para R$ 113 milhões. Se o governo estadual esperava uma luz no fim do túnel para sanar as dívidas que tem com o Instituto de Previdência, a situação se tornou mais crítica. Ocorre que, o próprio Estado reconhece que o dinheiro que deve chegar não paga nem 1/3 do que é devido ao órgão previdenciário. Mais ainda com a redução do que vai receber. O Roraima em Tempo divulgou em primeira mão que a dívida do governo com o Iper é de R$ 567 milhões. Cadê os deputados para apresentar soluções frente a este cenário?

DUPLA

Telmário e Mecias foram os dois que circularam vídeo falando sobre os milhões que viriam. Sem força política em Brasília, os parlamentares viram os recursos ficarem ainda mais escassos. Vale lembrar que Telmário, que até então era opositor de Antonio Denarium, chagando a chama-lo de Nanico e estelionatário, pulou para o barco pesselista. O senador tem uma reputação péssima no meio político e se alinhou, pelo menos no vídeo, ao milagreiro, que responde a processos na Justiça e foi alvo da operação para descobrir quem tinha fraudado a eleição para a presidência no Senado. Cada vez pior... Mecias detém controle sobre órgãos, para onde indica nomes a ocuparem os cabides de emprego. Quando o governo vai acabar com isso? Difícil...

ENFIM...

Ontem, o Ministério de Minas e Energia se viu obrigado a deslocar equipe até Roraima para resolver o impasse dos garimpeiros. Mesmo o argumento de que poderia faltar luz geral, os manifestantes não se viram satisfeito e só saíram da pista quando tiveram garantia de reuniões com o ministro Bento Albuquerque. O governo de Roraima tomou frente da pauta de legalização do garimpo e afirmou, acreditem, que em 20 dias o projeto seria votado no Congresso Nacional. Os especialistas ouvidos pela Coluna avaliam o prazo como metáfora, e que os parlamentares devem apresentar resistência frente à matéria. Além disso, o Estado pretende ter uma lei voltada para essa questão, o que também, na visão dos especialistas, não deve ocorrer, pois não compete ao estado.

NADA BEM

Denarium passa por um momento conturbado de gestão. Os mais próximos realmente dizem que ele não quer papo com reeleição. Na semana passada, a intenção de 'controlar' a UERR por meio de decreto não vingou. Logo a Justiça derrubou essa medida. O empresário tem, ainda, uma grave crise fiscal para contornar, o que não cria cenários positivos para o próximo ano, nem para os seguintes. Os recursos do megaleilão do pré-sal que poderiam 'salvar a pátria' e quitar parte dos R$ 567 milhões que o governo deve para a Previdência foram por ralo abaixo. Apenas R$ 133 milhões, o que paga apenas ¼ da dívida. Essa posição desfavorável coloca o pesselista numa guerra com as próprias decisões. Brigar com os mais próximos? Manter acordos de campanha? O que fazer? Não está nada bem...

 

 


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