Roraima em Alerta

Falta tudo no HGR, mas a prioridade de alguns parlamentares é construir novos prédios

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Menos R$ 30 milhões

A cada chuva acima da média esperada no período, a população de Boa Vista compreende melhor a falta de uma emenda de R$ 30 milhões faz para reduzir os pontos de alagamento e garantir mais asfalto em ruas. Esse valor estava garantido em orçamento e depois que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) orientou o contingenciamento de receitas, a maioria dos deputados e todos os três atuais senadores que representam o Estado em Brasília, decidiram anular integralmente a única emenda destinada à Boa Vista. Havia alternativas, como atender a própria orientação do Governo Federal que determinou a redução de apenas 20% desse valor. Mas, baseados nos interesses que permeiam a disputa política de 2020, a opção acatada foi mesmo a que mais prejudica a população. São menos R$ 30 milhões de drenagem e asfalto por Boa Vista. Uma péssima decisão.

 

Manteve

Contraditório é que essa mesma bancada optou por manter uma emenda do deputado federal Hiram Gonçalves (PP) para a construção do Hospital do Amor em Roraima, uma unidade especializada na oferta do tratamento de câncer. É evidente que para as famílias que enfrentam essa doença, ter a oferta do tratamento perto de casa representa muito. Porém, na atual condição dos serviços públicos de saúde é muito fácil afirmar que o Governo do Estado não terá condições nenhuma de colocar esse serviço para funcionar e ainda manter o atendimento do jeito que os pacientes com câncer precisam. Se nem o Hospital das Clínicas entrou em funcionamento mesmo depois de dois anos após sua inauguração, imaginem uma unidade com oferta de tratamento especializado para o câncer que depende de profissionais habilitados para essa função, equipamentos e insumos específicos, todos caros. Se a população não consegue fazer um curativo no Hospital Geral de Roraima (HGR), vai conseguir uma quimioterapia? É pra pensar.

 

Prioridades

São muitas dúvidas que surgem quando se analisa com mais profundidade essa questão. Por exemplo, por que não investir esses recursos da construção do prédio na compra de medicamentos para o HGR? Muitas vidas teriam sido salvas no último mês, inclusive a de Roque Serrão, de 37 anos que estava com os órgãos expostos e foi dado como morto, mesmo estando vivo. Infelizmente, ele faleceu na semana passada sem receber o atendimento adequado. É importante que o deputado Hiran, que já manifestou publicamente o desejo de ver a mulher no comando da Prefeitura de Boa Vista, analise melhor o que deve ser prioridade. A construção de um novo prédio não é a necessidade emergencial de Roraima e pode se tornar um novo problema para o Estado que sofre sem conseguir colocar o Hospital das Clínicas para funcionar e menos ainda, o Anexo do HGR. Além disso, os serviços do Hospital do Amor poderiam muito bem ser colocados dentro do Hospital das Clínicas. Há espaço e estrutura para isso. Mas, por que tanta insistência em construir um prédio?

 

Propina?

A resposta talvez esteja no comentário compartilhado no blog FonteBrasil. Na edição desta segunda-feira (15), o blog destaca a cultura da propina de obras, onde alguns parlamentares exigem 5% do valor para a construção de prédios públicos. O exemplo usado é bem semelhante à proposta tão amplamente defendida por Hiran. Destinação de verba para uma obra que não deveria ser prioridade, que pode nem entrar em funcionamento mas que garante a formação de um fundo de reserva, ou caixa dois. Neste caso, cogita-se ser parte do recurso necessário para financiar uma candidatura em 2020. Claro, que são apenas especulações, mas servem para que eleitores observem melhor o comportamento de alguns parlamentares especialmente, neste período que antecede as eleições.

 

Perseguidor

Outra notícia envolvendo Léo Índio, o assessor especial do senador Chico Rodrigues (DEM) veio à tona essa semana. O Estadão, veiculo de circulação nacional produziu matéria sobre as atividades desempenhadas pelo assessor que diferem muito do que preconiza o cargo que ele ocupa. Ao invés de contribuir com soluções para os problemas de Roraima, visto que está lotado em um gabinete parlamentar que representa o Estado, Leo Índio tem aproveitado as prerrogativas do cargo para visitar outros Estados e elaborar dossiês contra famílias tradicionais e grupos políticos. A matéria chega a comparar o assessor aos perseguidores da Ditadura Militar e cita também a ligação direta de Índio com o presidente. Detalhe: todas as viagens são oficiais, pagas com dinheiro do contribuinte e deveriam portanto, atender aos interesses da população, especialmente, de Roraima que precisa tanto de apoio neste momento.

 

Poderia ajudar

Se Índio tem tanta liberdade assim com Bolsonaro por que o senador Chico Rodrigues não aproveita para que ele represente as demandas de Roraima com o presidente? Seria ótimo ter um assessor tão bem relacionado defendo interesses do Estado como o envio de recursos para melhorar o atendimento em saúde massacrado pela crise migratória, a própria questão energética afinal, a obra de Tucuruí não começou e ainda segue sem perspectiva de início. Ou ainda quem sabe, Índio poderia interceder junto ao tio Bolsonaro para que o Governo Federal conclua o enquadramento dos servidores do ex-território. Estaria realizando o sonho de muita gente e ainda contribuindo para a geração de renda em Roraima. Mas, pelo visto, Chico tem um assessor que não serve em nada aos roraimenses, uma vergonha para quem foi eleito com mais de 100 mil votos.

 

Violência

A violência pública voltou a assombrar o roraimense. Fazia tempo que a população do Estado não via tantas notícias sobre execuções, assassinatos e roubos. A segunda-feira (15), amanheceu com uma execução no bairro Pricumã e ainda no fim da tarde, uma família foi feita refém no bairro Cruviana. Enquanto o cidadão de bem tem que se trancar em casa e rezar para não ser alvo da bandidagem, as delegacias podem parar de funcionar porque falta combustível e papel. Esse é o retrato mais fiel da administração feita por Antonio Denarium (PSL) nesses seis meses. Eleito com o discurso de transformação, o governador até demonstra muita boa-vontade porém, segue amarrado aos interesses de seus apoiadores e, a maioria deles só quer lucrar em cima dos recursos que são direcionados ao Estado. É por isso, que a Reforma Administrativa ainda não saiu, que os contratos menos prioritários, como os de passagens áreas da Casa Civil saem mais rápido que o de compra de medicamentos para o HGR e por fim, é por isso que o Governo não conseguiu atingir sua meta de economia, prejudicando a oferta de serviços públicos básicos como a garantia de segurança pública para o cidadão.


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