Roraima em Alerta

Fantasmas de Mecias podem resultar em afastamento de Procurador do MPC

170919 RR Alerta


Piada

Enquanto as delegacias estão prestes a fechar suas portas por falta de papel e de combustível, a equipe do Governo do Estado comemora nas redes sociais e nos grupos de whats a prorrogação da permanência da Força Nacional no Estado. Tem que comemorar mesmo porque sem esse contingente de homens circulando pela cidade os índices de criminalidade estariam maiores ainda. Hoje, o roraimense se vê refém de bandidos - brasileiros e venezuelanos - que se aproveitam da fragilidade do serviço de segurança pública. Não há viaturas nas ruas e as que rodam ainda precisam economizar o combustível. Para a bandidagem tá muito fácil atuar em Roraima.

 

Aniversário

Foi pelas redes sociais também que o Governo publicou nota dando conta do início das atividades em comemoração ao aniversário da Polícia Civil de Roraima. Mais uma piada pronta que colocou Antonio Denarium (PSL) no centro das críticas feitas pela população. O concurso da Polícia Civil foi cancelado e até agora os candidatos que fizeram a inscrição aguardam pelo menos a devolução do dinheiro usado para garantir a participação no certame. Os policiais civis que atuam no Estado podem ser considerados guerreiros porque seguem trabalhando mesmo com as péssimas condições oferecidas pelo Estado. Se falta papel para atender ao público, imaginem como trabalham os profissionais que devem realizar as investigações para elucidar os casos. Portanto, cabe aquela velha pergunta: há motivos para comemorar?

 

Nem o parceiro aguenta

O deputado federal Antonio Nicoletti (PSL) foi convidado para participar da audiência com a Comissão de Vereadores que visitou Brasília em busca de apoio para solucionar problemas causados pela crise migratória. Antes do evento começar, o deputado teria confidenciado aos vereadores que a equipe de governo é muito fraca. A cara de surpresa entre todos os que ouviram o desabafo do parlamentar foi unânime. Não pelo teor de sua afirmação, mas principalmente, nenhum dos presentes esperava que tais palavras fossem proferidas por um aliado de Denarium que o acompanhou em toda campanha política e divide a mesma sigla partidária. Como se fosse pouco, Nicoletti ainda acrescentou mais críticas usando como exemplo a questão da saúde. Segundo o parlamentar, o Estado tem dinheiro mas não consegue aplicar os recursos e por isso, o atendimento não funciona.

 

Motivo da discórdia

De modo geral é impossível discordar de Nicoletti em suas afirmações quanto às dificuldades que Denarium e sua equipe apresentam à frente da gestão estadual, porém é importante lembrar que este é um período considerado véspera de eleições e o próprio deputado foi questionado se teria interesse em concorrer como prefeito de Boa Vista. A resposta foi evasiva, mas Nicoletti não negou. Taí, o motivo da discorda. Portanto, suas críticas seguem o típico padrão de comportamento adotado por alguns parlamentares de Roraima que antes das eleições, começam a apontar os defeitos em tudo mas esquecem que foram eleitos para contribuir com a solução desses mesmos problemas. Até agora, Nicoletti por exemplo, só serviu como papagaio de pirata nas ações de Governo Federal. A qualidade do seu trabalho nem pode ser mensurada por que, em seis meses de mandato ele praticamente não fez nadas de concreto para ajudar Roraima, além claro, de fotos, publicações em redes sociais e alguns discursos.

 

Imoralidade

Uma decisão no mínimo estranha expõe o nível de comprometimento dos órgão públicos de Roraima. Por mais que problemas como o da saúde estejam escancarados, nenhuma ação é feita pelos órgãos de controle que parecem seguir coniventes com tais situações. A exceção foi uma decisão do Tribunal de Conta do Estado (TCERR) que bloqueou valores que seriam pagos à Cooperbras, cooperativa que oferece a mão de obra de médicos para o Governo do Estado, por constatar alguns pagamentos indevidos. Agora, mais um exemplo desse comprometimento pernicioso vem à tona. A Justiça Estadual negou o pedido de afastamento do procurador-geral do Ministério Público de Contas, Diogo Novaes, investigado por suspeita de nomear servidores fantasmas à pedido do senador Mecias de Jesus (PRB).

 

Os Fantasmas de Mecias

O processo corre em segredo de justiça, mas os indícios apontam que servidores indicados por Mecias teriam sido nomeados apenas para ter direito ao plano de saúde do Ministério Público de Contas, só que eles nunca apareceram para trabalhar. Consta ainda que um dos servidores fantasmas chegou a ir pra São Paulo fazer uma cirurgia, se beneficiando do plano de saúde. Apesar da Justiça Estadual afirmar que não há elementos concretos para comprovar a irregularidade, basta pesquisar um pouco da história do senador para ver que essa prática combina bastante com o modo de agir do parlamentar. Em 2005, ele estampou páginas de revistas nacionais por ter tentando efetivar, sem concurso público, a esposa e outros apoiadores na folha de pagamento da Assembleia Legislativa. O caso se tornou público e a justiça impediu que Darbilene Rufino passasse a gozar do status de servidora efetiva com salário de R$ 7 mil, mesmo sem nunca ter feito uma prova para tal.

 

Os genros

Mais recentemente, o nome de Mecias de Jesus foi associado ao caso do seu genro, André Noleto que ocupa o cargo de Procurador na CAERR. O rapaz recebe salário mensal de mais de R$ 7 mil e conseguiu a proeza de gozar 30 dias de férias sem nem ter concluído o primeiro ano de contrato. Denarium que é contra qualquer tipo de favorecimento, ficou surpreso ao saber da notícia, determinou que o caso fosse apurado e que o rapaz ficasse sem receber pelos dias não trabalhados. Além disso, editou um decreto com normas mais rígidas para os servidores que tem esse tipo de postura. André recebeu o salário integral de maio e, em junho, recebeu o décimo terceiro no valor de R$ 3,6 mil. Mecias também garantiu um gordo salário para seu outro genro, o dentista Marcos Tayson Chamy de Oliveira, matrícula 7701177, que ocupa o cargo de assessor especial. O jovem que é dono de quatro postos de gasolina recebeu proventos na R$ 12.120,66 este mês. Só pra sustentar os genros de Mecias, o Estado gasta aproximadamente, R$ 20 mil por mês.

 

Passado que condena

Mecias também é citado no Escândalo Gafanhoto, sua esposa e sogro chegaram a ser presos pela Polícia Federal. Esta semana, ele também foi apontado como o responsável pela indicação do novo diretor-presidente da Codesaima Anastase Vaptisti, que é filho do dono da empresa Esparta Empreendimentos e Exploração LTDA que administra um orçamento de quase R$ 12 milhões para prestação de serviço à própria Codesaima. Com esse passado que condena, não é difícil de acreditar que Mecias tenha nomeado alguns servidores fantasmas no Ministério Público de Contas. Agora, a decisão de manter o procurador Diogo Novaes no cargo, compete à Assembleia Legislativa. A casa já recebeu o processo de investigação e informou que irá adotar os procedimentos necessários.

 

Por Roraima?

O senador Chico Rodrigues (DEM) virou alvo de cobranças depois que uma matéria feita pelo Estadão circulou localmente dando conta de viagens realizadas pelo funcionário lotado no seu gabinete em Brasília, Léo Indio. Ele é sobrinho do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e tem acesso direto com o mesmo. Em menos de seis meses, Leo realizou viagens oficiais, com todas as despesas pagas pelo Senado Federal, para três Estados diferentes porém nunca veio à Roraima. Os eleitores de Chico estão cobrando quando isso vai acontecer e porque o senador não usa o funcionário que tem em seu gabinete à favor do Estado. Muitos acreditam que a proximidade de Leo com o presidente poderia ser explorada para resolver problemas locais, como a crise migratória. Porém, pelo comportamento de Chico Rodrigues, que se tornou um capacho do presidente, tudo indica que isso não vai acontecer. Essa semana, o senador teve o disparate de retirar sua assinatura de um projeto de lei contra o nepotismo. Chico afirmou que não leu o documento que ele próprio assinou. Mas, na verdade, está evidente que ele segue ordens diretas de Bolsonaro porque se esse projeto virar lei, o presidente não poderá nomear o próprio filho como embaixador. É esse o nível de política que Chico faz, o de puxar-saco sem defender em nada os interesses dos roraimenses.


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