Roraima em Alerta

Gestão de Denarium é alvo de críticas na Assembleia Legislativa

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TODOS CONTRA UM
Foi esse o clima que tomou conta da sessão da Assembleia Legislativa de Roraima nessa terça-feira (20). Todos os deputados que usaram a tribuna destacaram descontentamento com alguma atitude do governador Antonio Denarium (PSL) e isso incluiu até os deputados que formam a chamada base aliada. Nas falas, de modo geral, Denarium foi massacrado pelos parlamentares, que criticaram desde a falta de investimentos na segurança, educação e por fim na saúde pública.

NOVOS APELIDOS
A fala do deputado Nilton do Sinpol (Patri) arrancou gargalhadas e depois aplausos do público presente. De maneira muito exaltada, o deputado chamou o governador de mentiroso e até deu um apelido que pelo visto pegou: Exterminador do Futuro. A indignação do deputado foi em relação à decisão do Governo de extinguir duas escolas estaduais, uma em São Luiz e outra em Caracaraí. Na avaliação do deputado, a gestão de Denarium está colocando em risco o futuro dos estudantes de Roraima. Pra finalizar, Nilton disse que sente vergonha de ter pedido votos para Denarium.

PEGOU MESMO
O apelido de Exterminador de Futuros pegou mesmo. Pela tarde, nas redes sociais, começaram a aparecer montagens até cômicas, fazendo fusão entre o pôster do filme e a imagem de Denarium. O assunto é sério e serve de alerta para a equipe de Governo,especialmente da Secretaria Estadual de Educação, porque ainda existem reclamações sobre a falta de professores, suspensão de aulas, precariedade da merenda escolar e também dos prédios públicos. Basta lembrar que até poucos dias, uma escola tradicional de Roraima estava com as aulas suspensas devido a um problema elétrico que levou a um princípio de incêndio. Infelizmente, os relatos da população não condizem com as melhorias que Denarium afirma ter feito.

ORIGEM
O descontentamento dos deputados teve origem no fato de que Denarium não convidou nenhum deles, nem os que fazem parte da sua base aliada para a solenidade de assinatura do decreto que garantiu a continuidade do concurso público da Polícia Militar. Quem acompanhou o desenrolar de toda a questão, sabe que a Assembleia Legislativa de Roraima teve um papel protagonista na mediação do diálogo entre os concursados e a equipe de Denarium, incluindo a conversa com os demais poderes para fazer o congelamento no repasse do duodécimo que permitiu ao Estado economizar R$ 54 milhões. A contrapartida do Governo era dar continuidade ao certame, ato que só foi autorizado por Denarium na noite de segunda-feira (19).

VEM COMIGO!
Até o gordinho, deputado estadual Jeferson Alves (PTB), que diz fazer parte da base aliada de Denarium, reclamou da atitude. Ele falou do trabalho feito pela ALE e de como o governador e sua equipe tinha se esquecido dos deputados. Jeferson disse ainda que está na base do Governo para apoiar as boas ações, mas que isso não significa fechar os olhos para o que precisa ser corrigido. Além da questão do concurso, o deputado também criticou a falta de investimentos na Segurança Pública e usou o episódio do assalto do ônibus ocorrido na manhã de ontem (20), no Rio de Janeiro, para tecer um comparativo com o trabalho que deveria ser feito em Roraima. Segundo o deputado, é preciso que o Estado dê condições para que os policiais trabalhem. E pelas notícias, não é isso que está acontecendo.

CPI JÁ
Recentemente, a deputada Betânia Almeida (PV) publicou foto de um encontro que teve com Denarium. Na época, muitos chegaram a acusar a deputada de mudar de lado e outros até apostaram que ela calaria a boca sobre a CPI da Saúde. Junto com Nilton do Sinpol e com o deputado Jorge Everton (MDB), eles formam o único grupo que segue pressionando a realização da ação investigativa. Na sessão desta terça (20), Betânia subiu na Tribuna com uma blusa que expressava sua opinião sobre o tema: CPI da Saúde Já. Seu discurso foi em tom de cobrança aos próprios colegas que para ela, estão se omitindo diante de um assunto que é grave e merece total atenção da Casa. Betânia chegou a citar um colega parlamentar que deu apoio à CPI, mas teria mudado de ideia por ter contratos com a Secretaria de Saúde, porém não disse o nome. É esse tipo de atitude perniciosa que compromete a qualidade dos serviços e que já foi denunciada até pelo ex-secretário Airton Wanderley.

GARANTIDO
Depois da manifestação de Betânia, foi a vez do presidente da Casa se pronunciar e Jalser Renier (SD) garantir que a CPI da Saúde será instalada. O tema veio à tona com as inúmeras denúncias feitas pela população sobre as más condições do serviço público de saúde. No início deste ano, o Governo decretou estado de calamidade na pasta e o decreto foi prorrogado sem gerar nenhuma melhoria de efeito prático para a população. Na edição de ontem, a Coluna destacou o caso do jornalista Pablo Fellipe que chegou a procurar o Hospital Geral de Roraima, por algumas vezes, relatando dores abdominais. Ele sempre era medicado e liberado, até que na semana passada a equipe médica decidiu fazer exames mais detalhados e constatou um tumor no intestino do rapaz que teve de ser submetido a uma cirurgia. A família agora, faz uma campanha de arrecadação para custear algumas despesas, incluindo a compra de medicamentos que ainda faltam no HGR.

IRREGULARIDADES
As suspeitas de irregularidades na gestão da Saúde continuam. Há poucos dias, o advogado de uma empresa participante de uma seleção pública, denunciou que a atual secretária de Saúde, Cecília Lorezon, paga empresas para qual advoga. O trabalho que ela presta não é feito diretamente, mas por meio do seu escritório que, segundo a denúncia, representa até sete empresas que mantém contratos vigentes com o Governo. A condição fere princípios básicos da administração pública e merece atenção especial dos órgãos de controle.

UNIÃO
Outro caso que merece ser investigado é a relação do senador Mecias de Jesus (Republicanos) com a empresa União Comércio, Serviço, LTDA que foi uma das que mais recebeu pagamentos entre os anos de 2015 e 2019, incluindo repasses gordos nos meses de setembro e outubro de 2018, bem no meio das eleições. A empresa tem como proprietários dois primos de Mecias, mas os mesmo vivem em condições bem simples, diferente do que se espera de quem movimenta tanta grana com uma empresa do porte da União. Além disso, mesmo com pagamentos efetuados regularmente, os trabalhadores sofreram atrasos contínuos de seus salários. Nos bastidores local, a fofoca dá conta que que os pagamentos da União serviram para quitar empréstimos assumidos por Mecias com agiotas durante as eleições. Tudo precisa ser averiguado.


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