Roraima em Alerta

Ministério Público denuncia Suely e complica ainda mais situação da família Campos

270919 RR Alerta


FUMAÇA

Gerou muita estranheza aos membros da CPI da Saúde o fato de a Secretaria não ter remetido ao grupo os processos solicitados. A decisão motivou a realização de mais uma visita ao órgão, onde foram recolhidos mais seis processos, completando os 14 que estão sendo analisados inicialmente pelo grupo. Em um deles, que trata da alimentação servida nas unidades hospitalares, o relator Jorge Everton (MDB) já apontou irregularidades que levou a apresentação de uma recomendação de suspensão do contrato. 

IRREGULAR

A empresa que fornece os alimentos, a Andolini Comércio e Serviços LTDA-ME, tem um contrato de R$ 23 milhões mas não possui documentos básicos que regulamentam seu funcionamento, como o Alvará Sanitário, documento que inclusive é expedido pela Vigilância Sanitária, órgão vinculado à própria estrutura de Saúde Pública. Além disso, a empresa tem uma notificação do Ministério Público do Trabalho (MPT), informando que ela recebeu do governo sem contrato, ofertou alimentação vencida aos pacientes e não cumpriu cláusulas do contrato.

FOGO

E tem gente correndo da sala para cozinha com os trabalhos da CPI. Ao que tudo indica, os resultados preliminares podem levar até à prisões como ocorreu tempos depois da apresentação do relatório da CPI dos Sistema Prisional. Dizem que há pessoas de grosso calibre envolvidos e que o resultado do trabalho vai confirmar que existem sim, políticos que se beneficiam dos recursos que deveriam ser aplicados no tratamento dos pacientes.

ENQUANTO

Enquanto se discutiam os nomes dos possíveis envolvidos no esquema de corrupção que acabou com a saúde pública de Roraima, no Hospital Geral faltava soro, um item básico para contribuir com a recuperação dos internados. A indignação de quem dependia desse simples elemento era grande. Para ver seus entes melhorarem, o jeito foi tirar mais uma vez do próprio bolso e comprar o material. Quando a Coluna diz mais uma vez lembra que uma parcela considerável dos impostos pagos pelos brasileiros deveria ser reinvestida na saúde. Em Roraima, pode até ser que esse valores fiquem reservados, porém estão indo para outro destino e não para a aquisição do que a população de fato precisa. 

POR QUÊ?

Em relação ao trabalho da CPI da Saúde, algumas pessoas estão questionando porque o grupo de deputados optou por tornar público as datas de suas diligências? Para alguns, essa decisão representa a conivência com o desmonte dos serviços, considerando que, os temerosos ganham tempo para esconder as irregularidades quando tomam conhecimento com antecedências dessas visitas. A Coluna concorda que o mais efetivo seria manter as datas dessas diligências para se preserve o elemento surpresa. Com certeza, sem aviso prévio, os deputados encontrariam muito mais elementos para constatar as irregularidades na pasta.

DENUNCIADOS

O Ministério Público Estadual ofereceu denúncia contra a ex-governadora Suely Campos e ex-secretários da sua gestão por terem causado um rombo estimado em R$ 136 milhões aos cofres do IPER. Se acatado pela justiça e, casos os suspeitos sejam considerados culpados, poderão ser condenados até cinco anos de reclusão, terão que ressarcir os danos causados à Previdência Social e irão perder o direito de exercer qualquer função pública. E essa é apenas uma das muitas irregularidades que foram comprovadamente cometidas na gestão de Suely. Espera-se agora que a denúncia seja analisada com celeridade e que a justiça seja feita.

FAMÍLIA ENCRENCADA

A Família Campos tinha uma história de contribuição com o Estado que foi jogada no ralo pela ganância dos seus próprios integrantes. O patriarca, Neudo Campos, foi condenado pelo maior escândalo de desvio de recursos públicos já constatado no Estado, o caso Gafanhotos. Foi na sua gestão e sob o seu comando que Roraima perdeu na época, o equivalente R$ 300 milhões. Mas, segundo a Polícia Federal esse valor passa de R$ 1 bilhão. Por isso, Neudo Campos foi condenado a prisão que cumpre em regime domiciliar. O filho, Guilherme Campos é acusado no escândalo das marmitas que apura o desvio de recursos do Sistema Prisional e agora a mãe, corre o risco de se presa também. A família está mesmo encrencada.

TEM QUE DEVOLVER

Mesmo com o peso da corrupção no nome, Neudo se candidatou ao governo de Roraima e no meio da campanha foi substituído por Suely. Como gestora, ela já tinha deixado sua marca de incompetência no desmantelo feito na Prefeitura de Boa Vista ao lado de outros secretários, como o Getúlio Cruz que comandava o tesouro municipal. Ainda assim, conseguiu chegar ao cargo, mas não terminou seu mandato, interrompido pela intervenção federal. Por várias vezes, os deputados ensaiaram ingressar com um pedido de impeachment contra ela e não faltaram denúncias sobre desvios de recursos. Por fim, sem uma gestão acertada, seguindo praticamente a mesma receita que havia sido aplicada na Prefeitura de Boa Vista anos antes, Suely deixou de pagar o funcionalismo público, instalando o caos econômico e social em Roraima. Agora é esperar que a justiça seja feita e que os Campos devolvam o dinheiro que são acusados de roubar do Estado.


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