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Avanço do desmatamento em Roraima chega a 2.700% em um ano, indica Imazon

Cerca de 28 quilômetros quadrados de floresta foram destruídos no mês de julho; aumento pode estar ligado ao garimpo ilegal

Créditos: Winicyus Gonçalves
Estudo do Imazon traz resultados semelhantes aos divulgados pelo Inpe, no fim do mês passado - Edinaldo Morais/ Roraima em Tempo

Roraima foi o Estado com o maior avanço do desmatamento da Amazônia em um ano, uma alta de 2700%. É o que indica o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), em relatório divulgado nessa sexta-feira (16).

Em julho deste ano, foram 28 quilômetros quadrados, contra apenas um quilômetro quadrado registrado em julho de 2018. O aumento do desmate no Estado pode estar ligado ao avanço do garimpo ilegal, que tem provocado grandes impactos ambientais, de acordo com lideranças indígenas.

Entre agosto de 2018 e julho de 2019 foram 5.054 quilômetros quadrados de área desmatada, um aumento de 15% em relação ao mesmo período do calendário anterior. A área equivale a quase totalidade do território do Distrito Federal, com 5.760 quilômetros quadrados, segundo números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O relatório aponta um crescimento de 66% do desmatamento da Amazônia Legal em julho deste ano, em comparação com o mesmo mês de 2018, um total de 5.054 quilômetros quadrados.

EM JULHO

Somente em julho deste ano foram 1.287 quilômetros quadrados, ou seja, 25% do total dos 12 meses e um aumento de 66% em relação a julho de 2018. Os dados também mostram entre agosto de 2018 e julho de 2019. O monitoramento foi feito a partir do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD). Roraima foi responsável por 2% do desmatamento total em todo o mês.

Cerca de 55% dos desmatamentos em julho deste ano ocorreram em áreas privadas ou sob estágio de posse, segundo o relatório do Imazon. O desmate em assentamentos, por sua vez, correspondeu a 20%, enquanto que em Unidades de Conservação foi de 19% e em Terras Indígenas de 6%.

DEGRADAÇÃO

Em toda a Amazônia Legal o número de degradação em julho deste ano foi de 135 km2 contra 356 km² no mesmo mês do ano passado, uma redução de 62%. Já no comparativo do desmatamento foram 777 km² em julho de 2018 e 1287 km² em julho de 2019, um aumento de 66%.

As florestas degradadas na Amazônia Legal somaram 135 quilômetros quadrados em julho de 2019, enquanto que em julho de 2018 a degradação florestal detectada totalizou 356 quilômetros quadrados, uma redução de 62%. Em julho de 2019 a degradação foi detectada no Pará (44%), Rondônia (18%), Amazonas (16%), Roraima (11%), Mato Grosso (8%) e Acre (3%).

Percentualmente o Estado que mais degradou em um ano foi Rondônia, com um aumento de 269%.

INPE

O Imazon não é ligado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que também apontou aumento do desmate no mês de julho. Estatísticas preliminares da agência de pesquisa espacial Inpe mostraram um salto de 88% no desmatamento na Floresta Amazônica em junho na comparação com o mesmo mês do ano passado.

Os dados de 1º de julho a 25 de julho, o mais recente disponível, registraram 1.864 quilômetros quadrados de desmatamento, mais do que o triplo da quantia registrada no mês de julho do ano passado.