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Assembleia quer remanejar vacinas contra Covid-19 enviadas para indígenas de Roraima

Casa divulgou que redistribuição também é de interesse do secretário da Saúde, Marcelo Lopes

Créditos: Josué Ferreira, Pedro Barbosa
Presidente da Comissão de Saúde, Neto Loureiro - Divulgação/ALE-RR

Deputados da Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR) aprovaram nesta quarta-feira (24) um requerimento para pedir ao Ministério da Saúde a redistribuição das vacinas contra a Covid-19 destinadas aos indígenas aldeados de Roraima. A ideia é direcionar as doses para outros grupos prioritários.

O documento cita que as vacinas estão "paradas" no Núcleo Estadual do Programa Nacional de Imunização (NEPNI) por causa da complexidade logística de levá-las até lugares isolados. Por isso, para acelerar a campanha, eles querem que outras pessoas sejam vacinadas no lugar dos indígenas.

"[...] esta comissão vem requerer que Vossa Excelência [presidente Soldado Sampaio] oficialize, em caráter de urgência, o ministro da Saúde, senhor Marcelo Queiroga, para que ele autorize o estado de Roraima a remanejar essas doses para população não indígena", complementa a solicitação.

Em janeiro deste ano, o Governo de Roraima informou que tinha recebido mais doses devido à população indígena. Conforme a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), foram enviadas para Roraima 127,3 mil doses de vacinas contra o coronavírus. Destas, 72,2 mil para indígenas, sendo que 16.045 foram utilizadas.

Ao todo, 73 indígenas aldeados morreram vítimas da pandemia e mais de cinco mil já foram contaminados.

Procurado pela reportagem, o presidente da comissão, deputado Neto Loureiro (PMB), alegou que a demanda surgiu após reunião com o secretário da Saúde, Marcelo Lopes, no dia 18 de março.

Segundo ele, a informação era de que 26 mil doses eram mantidas em refrigeração, porque os Distritos Sanitários Especiais Indígenas do Leste (Dsei-Leste) e Yanomami (Dsei-Y) não tinham condições de armazenar.

"Essas doses estão paradas por falta de logística para que se cheguem até esses lugares. Junto com o restante da comissão, entendemos por bem fazer um apelo ao Ministério da Saúde para que as doses sejam utilizadas em grupos prioritários e a vacinação em áreas indígenas ocorra conforme a demanda, até mesmo para evitar que elas vençam", ponderou.

INDÍGENAS

Ao Roraima em Tempo, o vice-coordenador do Conselho Indígenas de Roraima (CIR), Enock Taurepang, criticou o requerimento e afirmou que durante a pandemia as comunidades têm recorrido à medicina tradicional para combater a Covid-19. "A vacina está aí para salvar vidas", declarou.

Em outubro do passado, a reportagem mostrou que a comunidade Malacacheta, no município do Cantá, era uma das mais afetadas pela doença. Não havia testes suficientes, medicamentos e profissionais. Enock ponderou que o CIR espera que a solicitação do Legislativo seja rechaçada pelo Ministério da Saúde.

"Precisamos [das vacinas] nas comunidades. [Em Boa Vista] o pessoal tem acesso a medicamentos, farmácias, enquanto as comunidades estão padecendo. Não é problema nosso se o governo, a instituição que comanda toda logística, não tenha capacidade. Já estamos sendo punidos pela demora, e ser punido mais uma vez?! Não concordamos", rebateu Enock Taurepang.

GARIMPO

No ano passado, um estudo do Instituto Socioambiental (ISA) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) apontou que milhares de indígenas Yanomami que vivem em aldeias próximas des garimpos podem morrer em decorrência da doença devido à baixa imunidade e contatos com garimpeiros.

Entre 5 e 14 de março deste ano, a Polícia Federal (PF) cumpriu uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) e destruiu focos de garimpos na Terra Yanomami. A operação é para evitar a propagação de novos casos de Covid-19, bem como impedir que os invasores retornem à região.