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Bolsonaro vai conversar com Trump sobre a Venezuela e promete Tucuruí a partir de maio

A rápida passagem por Roraima foi para um pouso técnico antes de seguir para os Estados Unidos

Créditos: Josué Ferreira
Bolsonaro fez rápida passagem por Roraima antes de seguir para os EUA - Arquivo pessoal

Durante pouso técnico em Roraima, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que vai conversar com Donald Trump sobre a situação na Venezuela, que tem reflexos em Roraima. O evento no qual discursou ocorreu na Base Aérea de Boa Vista e teve presença de dezenas de apoiadores. Ele prometeu licença de construção do Linhão de Tucuruí para maio.

"Teremos uma medida para terça-feira [10]. Não podemos ter um estado isolado, energicamente falando", disse, acompanhado de gritos de 'mito'. A imprensa não teve acesso ao local. O governador Antonio Denarium (PSL) foi anunciado, mas não discursou. 

Bolsonaro chegou por volta de 9h30. A rápida passagem por Roraima foi para um pouso técnico antes de seguir para os Estados Unidos. Ele disse que era uma satisfação visitar o estado e agradeceu os votos nas eleições de 2018. Essa foi a primeira vez em solo roraimense após a vitória. Ele deixou o Estado às 10h50.

Uma comitiva formada por ministros e autoridades brasileiras viaja com o presidente em dois aviões da Força Aérea Brasileira (FAB). Essa é a quarta viagem para o país de Trump em 15 meses de governo. 

Avião com Bolsonaro deixou a Base Aérea às 10h50 - Foto: Josué Ferreira/Roraima em Tempo

Durante o discurso, Bolsonaro concedeu palavra ao ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, para atualizar informações sobre Tucuruí. O representante da Pasta lembrou que são anos de espera e a atual gestão não aguardou pela viabilidade da linha, mas atuou para que a obra saísse do papel.

"Nunca estivemos tão próximos de entregar [o Linhão]. É um trabalho integrado entre os governos federal e estadual e organizações. Em março finalizamos o plano básico ambiental da componente indígena. Depois disso, teremos a instalação, que deverá ser concedida em maio. E aí iniciaremos a construção dessa obra", garantiu o ministro.

As licenças estão embargadas pela ação movida pelo Ministério Público Federal do Amazonas (MPF-AM). O órgão conseguiu liminar que impede autorização das obras sem consentimento dos indígenas Wamiri-Atroari. 

Em setembro do ano passado, os índios entregaram a órgãos do governo federal o protocolo de consulta prévia, livre e informada. O documento apresenta análise fundamentada sobre os impactos socioambientais decorrentes do empreendimento. A obra vai conectar Roraima ao Sistema Interligado Nacional (SIN). 

IMIGRAÇÃO

Cerca de 500 venezuelanos entram em Roraima diariamente - Foto: Arquivo/Roraima em Tempo/Fábio Calilo

Ao tratar sobre a Operação Acolhida, criada para promover ações de acolhimento a imigrantes venezuelanos, Bolsonaro destacou que o governo tem se empenhado para resolver a questão que refelete em Roraima. Ele disse que a Venezuela será pauta no encontro com Trump.

"Nosso povo nos livrou de um continuísmo político que nos levaria a uma situação semelhante a da Venezuela. Sabemos das consequências para Roraima. Fazemos o possível para buscar a solução para esse caos. A gente acredita, mas é quase impossível o retorno da Venezuela. Não podemos acostumar com coisa fácil, como a esquerda fazia com o Brasil. Nos libertarmos disso", discursou.

A meta de interiorização para 2020 é de 36 mil venezuelanos até dezembro, número superior aos 27 mil que foram enviados para outras regiões do país em 2019. A expectativa do governo já havia sido compartilhada pelo vice-presidente Hamilton Mourão, quando visitou Roraima em fevereiro deste ano.

Desde 2018, Roraima tem recebido, em média, mais de 500 venezuelanos diariamente pela fronteira em Pacaraima. Desde que o Posto de Recepção e Identificação da Operação Acolhida foi criado naquele ano, 147,8 mil venezuelanos entraram no Brasil. Já em 2019, os números chegaram a 191 mil, um aumento de 29%.

MANIFESTAÇÕES

No dia 15 de maio estão previstas manifestações por todo o país. O presidente ponderou que não se trata de ato contra o Congresso ou o Judiciário, mas de ato pró-democracia. "Político que não gosta de governo de rua, não merece ser político", disparou. Ele foi duramente criticado depois de convocar manifestantes para o ato contra o Congresso.

"Participem! Não é movimento contra o Congresso ou o Judiciário. É um movimento que quer mostrar pra todos que quem dá o norte para o Brasil é a população. Não somos nós políticos. Apenas conduzimos. Vocês dizem para onde devemos ir. Quem diz que é [protesto] contra a democracia está mentindo e tem medo do povo brasileiro", acrescentou.

Dezenas de pessoas acompanharam o discurso do presidente em Boa Vista - Foto: Josué Ferreira/Roraima em Tempo

INDÍGENAS

Bolsonaro voltou a atacar as demarcações de terras indígenas, o que classificou como "indústria da demarcação" e "irresponsabilidade dos governos anteriores". Disse que o Brasil mudou e reutilizou a frase dita há alguns meses: "Os índios cada vez mais se tornam iguais a nós". 

"Viajavam [presidentes anteriores] mundo à fora e quando voltavam demarcavam terras indígenas, quilombolas e outros. O Brasil mudou. Os índios cada vez mais se tornam iguais a nós. Com essa união, consolidamos nosso espaço como terra brasileira de verdade", complementou.

A ideia de explorar terras indígenas é compartilhada por Antonio Denarium. Em encontro com o presidente, no ano passado, ele afirmou que era preciso liberar a mineração, como forma de alavancar a economia de Roraima.

PROJETO

No mês passado, o governo apresentou projeto que regulamenta a exploração de terras indígenas e prevê que os índios poderão vetar garimpo nessas áreas, mas não vão impedir a instalação de projetos para produção de óleo e gás e de mineração ou a construção de hidrelétricas.

A diferença entre o garimpo e a mineração é que, no primeiro, a exploração é feita sem estudos mais aprofundados, como a extração de ouro e diamante. Já a mineração exige estudos prévios e se relaciona à exploração do subsolo, como no caso do minério de ferro.

"No que diz respeito à atividade econômica em Roraima, 50% é de terras indígenas. 68% são áreas de fronteira. Estamos trabalhando para viabilizar atividade econômica sustentável nessas áreas. É importante destacar o apoio das comunidades, que querem fazer parte do desenvolvimento e se integrar à sociedade", disse o ministro Bento Albuquerque.