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Conselho Indígena de Roraima vence projeto da ONU para meio ambiente

Honraria anunciada nessa quarta-feira (5) já foi concedida a vencedores do prêmio Nobel

Créditos: Winicyus Gonçalves
Constituição reconhece a organização social, cultural e política dos povos indígenas - Arquivo/Roraima em Tempo/Edinaldo Morais

O Conselho Indígena de Roraima (CIR) foi uma das associações vencedoras do Prêmio Equador, da Organização das Nações Unidas (ONU). A premiação, anunciada na quarta-feira (5) foi dada também para Associação Indígena Kisêdjê, do Mato Grosso, e para o Conselho de Gestão da Área Marinha Protegida Comunitária Urok, na Guiné-Bissau.

O prêmio, organizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), destaca soluções, inovadoras e com base na natureza, que possam enfrentar os efeitos das mudanças climáticas, e da pobreza no foco meio ambiente.

De acordo com o documento, o PNUD diz que a aliança indígena do Estado, "garantiu os direitos de 1,7 milhões de hectares de terras tradicionais para 55 mil povos indígenas". Ao mesmo tempo, acrescentou a ONU, que a organização "promove a resiliência ecológica e social por meio da conservação de variedades tradicionais".

O vice-coordenador do CIR, Edinho Batista, ressalta que a premiação é importante para fortalecer a luta pela manutenção dos direitos indígenas em um momento complicado no Estado.

"Em meio ao cenário crítico de violência e ataques, ter esse reconhecimento é importante para dar visibilidade de luta e resistência dos povos em meio a um governo que quer retirar os nossos direitos. A Constituição reconhece a organização social, cultural e política dos povos indígenas. São anos de lutas. Apesar dos desafios, os ancestrais ensinaram que jamais se deve desistir. É momento de união", afirmou Batista.

PRÊMIO

As três organizações anunciadas essa semana fazer parte de um grupo de 22 vencedores que ainda serão anunciados até o fim deste ano.
Os vencedores, foram selecionados de um grupo de 847 candidatos de 127 países, recebem um prêmio de 10 mil dólares (8.850 euros), numa cerimónia agendada para Nova Iorque, no dia 24 de setembro, durante a 74.ª Assembleia Geral das Nações Unidas.

O prêmio Equatorial, que existe desde 2002, já foi entregue a vencedores do prêmio Nobel, como Al Gore e Elinor Ostrom, os ambientalistas Jane Goodall e Jeffrey Sachs, os filantropos Richard Branson e Ted Turner ou as celebridades Edward Norton, Alec Baldwin e Gisele Bündchen, pelo seu papel na preservação do meio ambiente.

PREMIADOS

No Brasil, a Associação Indígena Kisêdjê, localizada no Mato Grosso, estado que o PNUD considera um dos "mais desflorestados do Brasil", a ONU "transformou o 'status quo', recuperando as terras tradicionais e desenvolvendo um modelo de negócio inovador que utiliza o pequi, uma árvore nativa, para restaurar paisagens, promover a segurança alimentar e desenvolver produtos para o mercado local e nacional", referem às Nações Unidas.

Já a zona marítima protegida das ilhas Urok, nos Bijagos, sul da Guiné-Bissau foi reconhecida devido à excelência do trabalho de conservação e desenvolvimento sustentável.

Com a dinamização da Tiniguena, os habitantes das ilhas Urok são descritos como "utilizadores do conhecimento tradicional para proteger o ecossistema marinho e de mangais críticos para mitigar as alterações climáticas, reduzir a erosão costeira e assegurar meios de subsistência sustentáveis para os povos indígenas dos Bijagós".