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Metade da população economicamente ativa de Roraima é de trabalhadores informais

Número de informais chega a 106 mil pessoas no Estado; dos 56 mil empregadores, 51 mil não têm CNPJ

Créditos: Winicyus Gonçalves
Mais de 100 mil pessoas exercem trabalho informal no Estado, de acordo com IBGE - Edinaldo Morais/Roraima em Tempo

A taxa de desocupados em Roraima registrou uma leve queda, de 15% para 14,9% no segundo trimestre do ano, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Apesar da diminuição, a tendência é que boa parte dos desocupados esteja migrando para a informalidade. No último balanço, o Estado teve um dos maiores registros do país, com 106 mil pessoas sem trabalho formal.

Quando se leva em conta as pessoas que trabalham por conta própria e não têm o CNPJ, o número chega a 91%. Dos 56 mil empregadores, 51 mil não são registrados como pessoa jurídica, o que atesta a informalidade. Os dados são referentes ao período de abril a junho e compõem a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgados na última quinta-feira (19).

São considerados informais os trabalhadores sem carteira assinada (empregados do setor privado e trabalhadores domésticos), sem registro no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ) e sem contribuição oficial para a previdência (empregadores e por conta própria) ou sem remuneração (auxiliam em trabalhos para a família).

Para o economista Fábio Martinez, o dado acaba sendo um reflexo da atual situação econômica que o Estado enfrenta. "A crise gera altas taxas de desemprego e crescimento econômico pequeno, o que acaba levando as pessoas para a informalidade para conseguir alguma renda e elas necessitariam de uma evolução maior da economia para que migrassem do campo informal para o formal", explica.

É o caso do vendedor Maurício Ramos. Formado em técnico em informática, ele já tentou emprego na área, mas não conseguiu. O jeito foi vender salgados na porta de casa, no bairro Caranã, zona Oeste da Capital, para não ficar ainda mais no aperto financeiro.

"Não consegui emprego nem na minha área e nem em outras áreas porque mesmo com a formação, eles falam que eu não tenho experiência suficiente para ficar com a vaga. Já chegaram até a falar que eu tinha uma qualificação muito alta para concorrer à vaga que eu me candidatei", relata Ramos.

TENDÊNCIA

Há uma tendência de redução na taxa de desemprego em quase todo o País, mas ainda puxado pela informalidade ou por um movimento sazonal de recuperação de contratações na passagem do primeiro trimestre para o segundo trimestre, é o que explica Liezer Pino, chefe da Supervisão de Documentação e Disseminação de Informações da Unidade Estadual do IBGE em Roraima.

"A gente sabe que o segundo trimestre de cada ano é o momento em que de fato há tendência de queda [na taxa de desemprego]. Porque você vem do primeiro trimestre, onde tem o processo de dispensa de temporários e a, consequente, redução no número de pessoas trabalhando. E no segundo trimestre isso tende a ser revertido", sugere Pino.

Para ele, a ocupação informal pode ter ajudado na redução da taxa geral de desemprego. "Ele [o trabalhador informal] está ocupado, trabalhando por conta própria, então não está nessa taxa de desocupação, mas é um dos que ajudou a reduzir o número de desocupados, porque boa parte das pessoas que passou a trabalhar, se ocuparam, por conta própria", completou Pino.

No entanto, apesar do alto índice de informais em Roraima, o rendimento médio de quem trabalha sem registro caiu em comparação ao mesmo trimestre do ano anterior, de R$ 1.585 para R$ 1.505, valor um pouco acima de um salário mínimo e meio.

DESEMPREGADOS

De acordo com o IBGE, um a cada sete roraimenses está desempregado. Isso significa que a pessoa, nos últimos 30 dias, chegou a entregar currículos, participou de entrevistas de emprego, se inscreveu em algum concurso, mas não conseguiu ter assinada a carteira de trabalho.

A pesquisa também detalhou que o percentual de pessoas ocupadas em relação às pessoas com 14 anos ou mais, consideradas "em idade de trabalhar", foi de 53,3%, ou seja, 249 mil tinham alguma ocupação.

OCUPADOS

A maioria dos ocupados, aponta a PNAD, atua no setor privado. São 69 mil, sendo 40 mil com carteira assinada; 55 mil trabalham no setor público, sendo que desses, 41 são estatutários ou militares; e 12 mil são empregadores, desses, 5 mil sem o CNPJ.

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