Últimas Notícias

Para evitar afastamentos, Polícia Militar de Roraima realiza trabalho preventivo com tropa

Projeto 'Conhecendo a Tropa' busca diagnóstico e tratamento individual com cada policial

Créditos: Winicyus Gonçalves
Policiais recebem orientação para realizarem abordagens e operações de forma adequada - Arquivo/Roraima em Tempo/Edinaldo Morais

O que fazer para diminuir ou evitar problemas envolvendo a saúde mental dos policiais militares do estado? O Roraima em Tempo já havia adiantado que, a cada 15 dias, um policial, militar ou civil, foi afastado em 2018 das atividades por algum transtorno mental.  Para a Polícia Militar (PM), a prevenção pode ser o melhor caminho para melhorar a saúde da tropa.

De acordo com a psicóloga da PM, Darlim Mezomo, os agentes tendem a produzir mais o hormônio cortisol, responsável pelo stress, e que não necessariamente isso esteja ligado à atividade policial. "Muitos dos policiais que apresentam alguma alteração no comportamento têm tido insônia ou perceberam que estão mais irritados, por exemplo, e isso pode ser desencadeado por uma série de fatores", detalha.

Para evitar que esses transtornos atrapalhem a vida dos policiais e se agravem, a PM desenvolve um diagnóstico individualizado para os agentes, por meio do projeto 'Conhecendo a Tropa', que trabalha com militares do 1° e 2° Batalhão, Grupamento Independente de Intervenção Rápida Ostensiva (Giro) e Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), a fim de garantir a realização de abordagens e perações de forma adequada.

Conforme a psicóloga, o trabalho é desenvolvido como prevenção, consultando e avaliando os agentes periodicamente. "Os policiais são muito engajados e entendem que o trabalho que eles fazem é muito importante para o Estado. Eles sabem que qualquer comportamento inadequado pode provocar a expulsão da tropa. O que tentamos é concentrar o foco e o engajamento para que ele não se exceda e consiga trabalhar com o máximo da razão mesmo com o stress diário", afirmou.

Darlim destacou que há uma busca ativa dos próprios policiais quando eles percebem que há algo diferente no comportamento. "Os próprios militares ou o comandante repassam a demanda para os responsáveis pelo projeto quando entendem que o policial está mais agressivo em uma abordagem, por exemplo. Eles também têm conversado muito entre si para tentar evitar excessos", explicou.

Atualmente, o projeto 'Conhecendo a Tropa' trabalha com 57 militares e tem sido feito de forma gradativa. A meta é alcançar pelo menos 80% de toda a tropa para que sejam feitos trabalhos e diagnósticos em grupo.

RODAS DE CONVERSA

Ainda no trabalho, são realizadas rodas de conversas com o grupo de policiais, onde são explicados os fatores de risco e de prevenção que o policial tem que observar para ele se conhecer um pouco melhor.

Também são feitos questionários, para que eles respondam sobre autoestima, motivação e resiliência. São 13 instrumentos que vão apontar como é o sentimento do policial em relação a si próprio e em relação à família e a vida social. Depois os questionários são devolvidos aos militares.

A capitã da PM, Edinalda Daneluz, coordenadora do Núcleo de Atenção Biopsicossocial da Polícia Militar, conta que há uma abertura maior dos militares quando são acompanhados individualmente.

"Eles têm dificuldade para falar sobre essas questões em grupo, principalmente sobre a vida particular. Em grupo, eles falam mais sobre o serviço, a rotina do dia a dia, as dificuldades que enfrentam nas abordagens. No particular, eles se sentem mais à vontade para falar sobre questões da vida pessoal", relatou.

AFASTAMENTO

A militar explicou que após passar pelas rodas de conversa e receber atendimento individualizado, o policial pode ser encaminhado a um atendimento psicológico, mas sem a necessidade de ser afastado.

"Muitos dos que são atendidos não estão em um nível de afastamento. Quando precisam ser atendidos pelo psicólogo, eles estão numa fase do stress, que é conhecida como resistência, sendo intermediária e pode ser tratada durante a atividade policial", esclareceu Edinalda.

Sobre o afastamento, a psicóloga Darlim assegurou que o stress é algo inerente à profissão. "O problema é como o policial gerencia o stress na hora em que ele 'desliga'. Às vezes, precisa de um acompanhamento para gerenciar esta situação", complementou.