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Trabalhador do interior de RR recebe salário 43% menor do que o de Boa Vista, diz IBGE

Taxa de desocupação no interior de Roraima chegou a 13,3% no primeiro trimestre do ano, saldo inferior os 15,9% da capital

Créditos: Winicyus Gonçalves
Dados são de levantamento inédito feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) - Arquivo/Roraima em Tempo

Os trabalhadores roraimenses que vivem no interior ganham 43% a menos do que um funcionário que trabalha em Boa Vista. No interior do estado, os trabalhadores ganham, em média, R$ 1.405. Já na capital, a média sobe para R$ 2.460. Comparando os dois rendimentos, a diferença passa de R$ 1 mil.

Os dados são de levantamento inédito feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do primeiro trimestre de 2019, divulgada na quarta-feira (24).

Segundo o estudo, a renda média dos trabalhadores fora dos grandes centros é 38% menor do que a de quem trabalha em alguma região metropolitana do País.

Para chegar a esse recorte territorial, o interior foi considerado como todos os municípios do estado, excluindo a região metropolitana, quando existir, e a capital. Com relação à taxa de desemprego, apenas quatro regiões de interior tiveram desemprego maior que o índice da capital ou região metropolitana: Rio Grande do Norte, Alagoas, Mato Grosso do Sul e Goiás.

DESOCUPAÇÃO

A taxa de desocupação no interior de Roraima chegou a 13,3% no primeiro trimestre do ano, saldo inferior os 15,9% da capital. Roraima é o único estado que tem a informalidade concentrada na capital, com 69% dos quase 99 mil trabalhadores nessa condição. No interior, a taxa é de 31%.

Em números absolutos, são 68 mil trabalhadores na capital sem carteira assinada (empregados do setor privado e trabalhadores domésticos), sem Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e sem contribuição para a previdência. No interior, o número chega a 31 mil pessoas.

Também de acordo com a pesquisa, 30,1% da força de trabalho na capital é composta por pessoas subocupadas, ou seja, pessoas que trabalham por horas a menos ou desocupadas. No interior, o número é um pouco menor: 25,4%

BRASIL

Ainda de acordo com o instituto, o trabalho informal atinge 62,4% dos ocupados no interior dos estados - são aproximadamente 20,8 milhões sem carteira assinada, sem CNPJ e sem contribuição para a Previdência ou mesmo sem renda, por realizar um serviço auxiliar para famílias. O Brasil tem 13 das 27 unidades da federação, todas no Norte e no Nordeste, com pelo menos metade dos trabalhadores do interior na informalidade. No Amazonas, chega a 71,7%.

Ainda segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, relativos ao primeiro trimestre, o desemprego é menor no interior do que nas regiões metropolitanas em 18 estados.

Em São Paulo, por exemplo, a taxa média é de 13,5% - para uma média nacional de 12,7% -, subindo a 14,8% na região metropolitana e caindo para 12,3% no interior.

As informações da Pnad mostram também diferenças na concentração de trabalhadores por estado. No Amapá, 80% dos ocupados estão na região metropolitana, enquanto em Santa Catarina 85% ficam no interior. Em São Paulo, são 47,5% na região metropolitana e 52,5% no interior, e no Rio de Janeiro essas proporções são de 73,4% e 26,6%, respectivamente.

Além disso, em oito estados o rendimento mensal dos ocupados no interior corresponde a menos da metade do recebido na capital. A média nacional é de R$ 2.291. A maior diferença, em valores, foi registrada no Espírito Santo, onde o trabalhador do interior recebia R$ 1.725, em média, enquanto o da capital ganhava R$ 4.653.

A menor diferença foi apurada em Rondônia: R$ 1.736 no interior e R$ 2.250 na capital. Os menores ganhos são os das regiões Norte e Nordeste, chegando a R$ 1.016 no interior do Amazonas, onde a média na região metropolitana é de R$ 1.988.

No estado de São Paulo, o ganho médio no primeiro trimestre foi de R$ 2.899. Sobe a R$ 3.456 quando considerada a região metropolitana e a R$ 3.872 na capital. No interior, cai a R$ 2.392.