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UFRR se recusa a aderir ao programa Future-se, do Ministério da Educação

Entre as justificativas estão a dependência do recurso público e os prejuízos econômicos

Créditos: Yara Walker
Universidade emitiu nota pública com explicações sobre a recusa - Arquivo/Roraima em Tempo

O Conselho Universitário (Cuni) da Universidade Federal de Roraima (UFRR) informou, através de nota pública nesta quarta-feira (14), que rejeitou aderir ao programa Future-se, anunciado pelo Ministério da Educação (MEC) em julho deste ano.

No texto, o Conselho explica que, em reunião extraordinária realizada na segunda-feira (12), decidiu se manifestar contrário à proposta, por entender que a minuta do programa não está detalhada. A instituição critica ainda os principais pontos apresentados pelo governo federal.

"O Programa propõe alterações das atividades de ensino, pesquisa e extensão, subordinando-as aos padrões do mercado, comprometendo, assim, a liberdade de pesquisa e a produção do conhecimento, o que, no caso da UFRR, inclui o estudo da diversidade local, que contribui para o desenvolvimento regional e nacional, em particular na região amazônica", destacou a publicação.

O Future-se é uma iniciativa proposta pelo MEC, com o objetivo de aumentar a autonomia administrativa das Universidades Federais. Como essas instituições sofrem com contingenciamentos de verbas e alegam prejuízos com os bloqueios no orçamento, a solução apresentada pelo governo é firmar parcerias entre a União, as universidades e as organizações sociais, e injetar recursos privados nas instituições.

Conforme o texto, a decisão também está embasada na desvalorização do trabalho dos técnico-administrativos e docentes das instituições públicas, e a linguagem do mercado financeiro, além de não oferecer detalhes sobre riscos possíveis. Entre outras questões apontadas pela UFRR estão a dependência do recurso público e os prejuízos econômicos.

O Reitor da UFRR, Jefferson Fernandes, reforçou no dia 24 de julho que no contexto em que a instituição está inserida não haveria possibilidades de aderir ao projeto. À época, Fernandes ressaltou que o ambiente acadêmico não considera o financiamento viável.

 "A instituição é nova e defendemos que a Universidade continue pública. Somos uma região periférica da Amazônia e temos assimetrias e vulnerabilidades socias gigantescas, bem diferente das outras universidades do país. Não há necessidade desse autofinanciamento. A universidade possui um orçamento anual de R$ 235 milhões para se manter. Não vejo como aderir ao projeto nesta situação", justificou.

O Future-se também estimularia que as instituições captassem recursos próprios, que auxiliassem na sua manutenção. O MEC reforçou que não se trata de privatizar o ensino público, e sim de criar uma nova forma de financiá-lo. A cobrança de mensalidades em cursos de graduação, mestrado e doutorado está descartada, segundo o governo.

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